O Brasil deve experimentar um inverno com características atípicas neste ano, com temperaturas menos rigorosas em comparação aos períodos tradicionais. A previsão, divulgada pela consultoria meteorológica Nottus, aponta que a influência do fenômeno climático El Niño será determinante para essa condição nos próximos três meses, alterando a percepção comum da estação.
O inverno no Hemisfério Sul terá seu início exatamente no próximo domingo, dia 21, às 5h25. Um estudo da Nottus, apresentado na quinta-feira, dia 18, detalhou como o El Niño impactará o clima no país.
O El Niño é definido pelo aquecimento anormal da região equatorial do Oceano Pacífico. A condição é caracterizada quando a temperatura da superfície do mar se eleva em 0,5 grau Celsius acima da média histórica. A Agência dos Estados Unidos para Oceanos e Atmosfera (Noaa) confirmou o início desse fenômeno na semana anterior.
No território brasileiro, a estação será marcada por uma maior concentração de chuvas na Região Sul, com volumes acima do normal. Em contraste, as regiões Norte e Nordeste terão precipitações mais breves e de menor intensidade, aumentando a probabilidade de períodos de seca.
Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus, explicou que o inverno pode começar com temperaturas mais baixas. No entanto, ele ressaltou que “os efeitos do El Niño devem frear as baixíssimas temperaturas neste ano, principalmente de agosto em diante”.
Os efeitos do El Niño devem frear as baixíssimas temperaturas neste ano, principalmente de agosto em diante.
Essa atenuação do frio se deve à combinação de períodos mais secos com a incidência de ventos vindos do Norte, o que contribui para uma elevação gradual das temperaturas, especialmente na segunda metade da estação. A expectativa é de que a sensação térmica seja de um inverno mais ameno.
O meteorologista ponderou que isso não significa a ausência total de frio. Ele afirmou que “El Niño não tem frio? Tem, mas são eventos curtos, muito rápidos”. Além disso, algumas áreas da região central do país deverão registrar os chamados veranicos, que são períodos de tempo seco e elevação atípica das temperaturas que ocorrem durante o outono ou o inverno.
O estudo da Nottus detalhou as características climatológicas esperadas para cada mês:
Em julho, a previsão indica volume de chuva superior à média nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Na Região Sul, as chuvas devem intensificar-se, principalmente nas áreas do interior.
Para agosto, espera-se maior concentração de chuvas no extremo norte do Brasil, na faixa leste do Nordeste e em toda a Região Sul, onde os volumes podem exceder a média histórica. Contudo, em Minas Gerais, Goiás e no interior do Nordeste, o período seco, característico dessa época do ano, começará a se estabelecer.
Alexandre Nascimento projetou que, a partir de agosto, “De agosto em diante, a gente pode começar a ter pelo interior do país ondas de calor”.
Em setembro, a chuva deve ganhar ainda mais força no Sul, superando a média climatológica. Por outro lado, o Nordeste terá precipitação abaixo da média nas faixas leste e norte.
Apesar da expectativa de chuvas acima da média na Região Sul, o meteorologista da Nottus afirmou que, até o momento, não há indicação de temporais com a intensidade dos que atingiram o Rio Grande do Sul em maio e abril de 2024. Ele especificou: “Sem previsão de eventos extremos, nada comparado àquilo, por enquanto”.
Com base em dados da Noaa, Alexandre Nascimento aponta uma alta probabilidade de que o El Niño se intensifique e se torne um “Super El Niño” entre setembro e fevereiro de 2027, caracterizado por uma elevação da temperatura da água superior a 2,5 graus Celsius.
Diante da preocupação com os potenciais impactos desse fenômeno de grande intensidade, o governo federal estabeleceu uma Sala de Situação Interministerial. O objetivo é coordenar a preparação e a resposta a possíveis desastres naturais.
O El Niño deve continuar atuante, pelo menos, até o primeiro semestre de 2027. A consultoria Nottus prevê diversos efeitos para o sistema elétrico brasileiro, que depende majoritariamente de hidrelétricas e, consequentemente, do regime de chuvas para o enchimento dos reservatórios.
Alexandre Nascimento avaliou o impacto para o ano corrente, dizendo: “Eu acho que, em 2026, o El Niño vai ser até benéfico para o sistema”. Ele atribuiu essa perspectiva à chegada da temporada de chuvas nas regiões Sul e em partes do Sudeste.
Contudo, o cenário para 2027 apresenta preocupações. O meteorologista alertou: “No ano que vem, existe uma pressão bem grande, por conta do El Niño, de a gente ter um consumo elevado do primeiro trimestre, por conta de ondas de calor, e não chover tanto no Norte e no Nordeste”.