Na terça-feira, 5 de março, os advogados do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, formalizaram a entrega de uma proposta de colaboração premiada à Procuradoria-Geral da República e a representantes da Polícia Federal. O conteúdo do documento permanece sob sigilo, mas a expectativa é de que, caso a proposta avance, Vorcaro apresente informações sobre políticos e magistrados que, segundo as investigações, possam ter mantido relações ilícitas com ele.
A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal conduzirão uma análise detalhada da proposta apresentada pela defesa. Durante este processo, poderão ser solicitados esclarecimentos ou documentos adicionais caso considerem que as informações fornecidas estejam incompletas. Também existe a possibilidade de que Daniel Vorcaro seja convocado para prestar depoimento presencialmente durante o andamento das investigações.
Após a coleta de depoimentos e a avaliação dos documentos, os órgãos envolvidos discutirão os possíveis benefícios a serem concedidos a Vorcaro em troca da colaboração. Segundo as regras que regem acordos de delação premiada, não há um prazo pré-determinado para a conclusão dessa análise por parte das autoridades.
O estágio atual do processo é de negociação, e, para que a colaboração premiada tenha validade e efeitos legais, a proposta deverá ser submetida à homologação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. André Mendonça é o relator dos processos relacionados às investigações acerca das fraudes envolvendo o Banco Master.
Daniel Vorcaro encontra-se detido nas dependências da Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde o dia 4 de março de 2026, data em que foi novamente preso após ser alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero. Esta operação, conduzida pela Polícia Federal, apura irregularidades financeiras ocorridas no Banco Master e investiga também a tentativa de aquisição da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília, o BRB, entidade pública vinculada ao Governo do Distrito Federal.
O pedido de prisão de Vorcaro foi feito pela Polícia Federal e acatado pelo ministro André Mendonça após surgirem novos elementos durante as investigações. De acordo com as informações levantadas, Vorcaro teria orientado diretamente outros investigados a intimidar jornalistas, ex-funcionários e empresários, além de ter tido acesso antecipado ao conteúdo de procedimentos investigativos em curso.